segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Moça de Dragão

 
 
O dragão negro de tuas costas
Me seduz com o fogo que não mostras
És poema reluzente
Em brasa, fogo e pele

És epiderme da apologia

O dragão negro em tua pele
Espera que teu segredo se revele
Tua verdade cicatrizante
É trofeu numa estante

És a beleza da euforia

Acorda e dorme
Dragão negro
Acorda e dorme
Moça branca

Meu desejo.

domingo, 22 de agosto de 2010

Capeta



Monstruosa
Tens o cheiro
Do podre da flor

Mais cheirosa...
Sem caráter
Moral ou pudor

Fuderosa...
No sentido mais foda
De foder a alma

Mais vistosa
És a arauta
Da morte da calma

Majestosa...
Mas és gostosa...
Voluptosa...
Em verso e prosa!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Galhêga


 (João Paulo Güma & Bruno Piffardini)

Loser, manos!
Somos, “samos”
Cachorros? Não!
Insanos!

Foi-se o tempo
De ombreiras e moda aeróbica
Os Goonies são os pingüins
De geladeira de nosso coração

E que oração se faz ao tempo?
Fudido e sedento
É a porra oitentista
Ainda querendo engravidar

Gruda, insiste mais adesiva
Que baladinha de barbudo pedófilo
Um Alien grudado na cara
Sloth pedindo chocolate

É um Plocc pedindo estouro
Uma puta pedindo foda
É o pegajoso “Los” da moda
É a turba depois do estrondo

E o resto é vômito e confete
Cabo de guarda-chuva
Garço, me despacha a saideira
Préu retomar o ritmo quente da rua.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mantra de Guerra


Aquele catarro
Que me destes na janta
Pra fome que é tanta
Sacia a alma

Aquele progresso
Do nosso destempero
Nos leva à guerra primeiro
Depois, nos acalma

Calma
Nada é tão ruim
Musa-mutante, querubim
Amor do meu ódio sincero

Calma
É perto do fim
Para você e pra mim
Nesse Mantra de Guerra que quero

Com ele te assassinar

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

All Easy, Ê!



Alise-me

Encontre-me, pelo menos
Na encruzilhada da aflição
Onde ventos alísios
São baforadas de loló

Dadas pelos Exus-cupidos
E pelos Loser manos despidos
De sorrisos sinceros
De choros comoventes

Só teu beijo alisa-me
Só tua imagem também o faz

E em troca justa
Alisar-te-ei em neologismo profano
Alise-ê

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Cuba

 
 
Me disseram que o Fidel
Tá fazendo uma aliança
Com o Armadinejad
Pra fazer uma lambança

Vão trocar vinte mulatas
Por mísseis nucleares
Querendo assim mandar
Os States para os ares

E se Cuba lança, meu bem?
E se Cuba lança...
Esse míssel, vai rolar
Uma tremenda matança


E se Cuba lança, meu bem?
E se Cuba lança...
Vão entrar o George Bush
E o Stallone nessa dança

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

"Al Dente"





Menina do sorriso
De pasta de dente
Para mim, és o ente
Do qual mais preciso

Escuta o que te digo
Nesse blues ou repente
Por mais que você tente
Serei sempre mais que um amigo

Menina do sorriso
De pasta de dente
Me diz o que sente
Teu coração indeciso

És a canção que sigo
Me preparas “Al Dente”
Serei seu prato finalmente
Pra ser servido em teu umbigo

Então me come, se lambuza
E tira essa blusa
Me come nua
E me diz o que sentes

Então me come, se lambuza
Me usa, me abusa
Eu tô na tua
Com olhos dementes

Então me come, se lambuza
Divina, escusa
E com teu desejo
Revela o que mentes!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Previsão



Ela aceitou a proposta de ser feliz
E foi
Deixou o medo deixar de lhe seguir
E depois

Correu atrás do sentimento dourado
E encontrou o amor

Ela aprendeu que a dor não vem do outro
Mas de si
Ela chorou pelo tempo que perdeu
Até ali

E decidiu reunir coragem pra largar
A solidão
E é preciso ter coragem
Como numa canção sem rima
Para brincar-se de Tom Zé
Num groove psicodélico
Chamado amor

Ela aceitou o beijo mais distante
Espacial
Ela brincou de ser roda gigante
No Taj Mahal

E fez do céu o seu jardim de flores
De marfim

Ela casou com o mais feio dos homens
Transcendetais
Ela gerou os mais belos lobisomens
E ainda quer mais
Ela quer que sua vida seja eterna
Em seu florir

Cuidar de uma flor é arte
Transforma-te em bactéria
Para proteger o cheiro gostoso
Do amor ritualístico
Chamado rotina

Ela foi feliz pois assim quis

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Cazuza.



Lembro-me vagamente do dia em que ouvi a notícia da morte de Cazuza. Eu não sabia bem o que significava, mas, com o tempo, descobri o que o Brasil havia perdido. Sou fã assumido, não tenho como negar. Ultimamente, por sinal, eu estava escutando mais do que o normal, sem me tocar que sua morte faria 20 anos. Estou ficando velho. Um velho triste. Triste por motivos meus e triste por motivos coletivos, dentre eles, a ausência de letras e vozes como a dele. A música abaixo foi, e talvez ainda seja, minha trilha sonora últimamente. A letra é do talentoso Herbert Vianna, mas, sem a voz de Cazuza, não seria tão bela quanto é.



Quase um Segundo

Eu queria ver no escuro do mundo
Aonde está o que você quer
Pra me transformar no que te agrada
No que me faça ver
Quais são as cores e as coisas pra te prender

Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei

Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?

Ás vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
Tudo que não me deixa em paz

Quais são as cores e as coisas pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei

Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Uma Canção Ben Jor Pra Você (I Need You, Tami)

 
Tami...
Oh, Tami!

Essa canção não é só pra te dizer
Que eu não quero mais te ver

 
Tami...
Oh, Tami!

 
Nem que não há mais como se tecer
Algo que sirva pra nos envolver

Tami...
Oh, Tami!

 
Pois as canções do mar já não condizem
Com o que nossas almas, hoje, vivem
Eu só me arrependo por nunca fazer
Uma canção Ben Jor pra você!

Uma canção Ben Jor pra você!
Uma canção Ben Jor...
Pra você!

Tami...
Oh, Tami!

Os anéis que eu tinha pra te oferecer
Não sei se iriam, em ti, caber

Tami...
Oh, Tami!

A alma que eu tinha pra te oferecer
Eu sei que não iria te satisfazer

Tami...
Oh, Tami!

Pois a minha, não há os que estatizem
Nem a tua é tão branca como dizem
Mas suficiente para um dia eu fazer
Uma canção Ben Jor pra você!

Uma canção Ben Jor pra você!
Uma canção Ben Jor...
Pra você!

E no final dizer:

I need, i need, Tami...
I need, Tami...
I need you, I need you!!!

I need, i need, Tami...
I need, Tami...
I need you, i need you!!!

 
Oh, Tami...
I...
Need...
You.

Talvez assim...
Você possa entender!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Ao Pai-Xamã

Para Roberto Piva



Tu, que fizestes de mim neto dos beats
Agora decides chocalhoar esferas distantes
Tu, nobre pai-xamã das letras
Logo tu que, em brasa, com tua alma maldita
Com tua dita alma, ditastes palavras ao vento
Sementes, d'onde brotaram pequenos xamãs
E o verbo se fez pó

O pó que usaremos para ressuscitá-lo
Amanhã e sempre.