terça-feira, 22 de setembro de 2009

Calor e Menstruação

O calor tem imperado por esses dias. Quanto mais calor, menos roupa. Quanto menos roupa, mais atrativos. Quanto mais atrativos, menos pudor.

O trabalho de um ser para resistir ao outro suado e quase nu, faz, geralmente, o calor aumentar ainda mais. Banhos frios são utilizados na maioria dos casos.

Ceder triplica o tal calor e, quando o ato é bem feito, a cura vem em algumas horas... em certos casos, minutos.

O fato é que, depois de dias e noites muito quentes, o que mais se espera é que a chuva e a menstruação venham logo.

Última Página

A última página é sempre a mais difícil e inevitável... é quase uma lágrima.
Talvez tenha até já sido escrita. Talvez, não, com toda a certeza.
Pois até a primeira pode ter sido a última.

Fozzy

Fozzy era a minha putinha de estimação...
Se eu brigava com papai... ia e trepava com Fozzy
Se eu brigava com mamãe... ia e trepava com Fozzy
Se eu brigava com minha mulher... nossa reconciliação era na base da trepada.

Mas depois eu sempre ia atrás de Fozzy.

Porém, nessas horas, Fozzy me rejeitava...
Via as marcas de unhas em minhas costas...
Percebia os sinais de uma trepada reconciliadora...
E tinha inveja por eu não a permitir me arranhar, beijar, amar.

As unhas de Fozzy eram afiadas demais.
Os beijos de Fozzy eram melados demais.
O amor de Fozzy... O amor de Fozzy era foda demais.

Mas Fozzy, um dia, me propôs uma viagem...
Irmos, nós dois, à Espanha para lá morarmos...
Eu rejeitei a proposta, por causa de minha esposa.

Semanas depois, o corpo de Fozzy foi encontrado...
Sem vida, em Tenerife.

Exatamente no mesmo dia em que minha mulher me deixou.

...

"Tá tudo bem?"

Após essa pergunta, eu nunca contei de um a dez tão rápidamente.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Hã!?

Antigamente o que era ruim, era trash.
Hoje em dia o que é trash, é mara.
Hoje em dia o que é ruim é ozzy.

Só que Ozzy é mara!
E Mara é ozzy!

...


Mas que Mara, mas que Mara, Mas que Mara Maravilha ê!

Egito, Egito, ê!

Faraó... Faraó!

...


Maldita pseudo-intelectualidade.

Sobre "SOBRE A ANTOLOGIA CEM POETAS SEM LIVROS"

Li a análise do escritor, ensaísta e mestrando em linguística, André Cervinskis, sobre a antologia CEM POETAS SEM LIVROS. Esse é o principal motivo de eu estar escrevendo aqui, agora.

Podem até achar que estou reclamando uma melhor análise por parte dele quanto aos poemas lá apresentados, ou mesmo que estou escrevendo por sentir meu ego ferido pelo comentário feito ao meu poema: “Há autores também que escrevem versos como se estivessem na escola primária; poemas sem lirismo, repletos de clichês: Sou frágil, mas sou azul como Carlos Pena Filho;/ Sou frágil, mas inesquecível como o velho Capiba;/ sou frágil, mas sou forte como Che ou Sandino;/ sou frágil, mas pernambucano como Chico em sua vida. (Sono, Guma)”. Mas não é bem isso. Venho dar os parabéns às análises de André, e digo mais, acho até que ele foi legal conosco. Acho até que ele foi legal comigo.

E que direito ele tem de julgar esse ou aquele poema? Essa pergunta pode surgir nos pensamentos de alguns. Eu respodo do alto da minha imbecilidade laconica e feia: Toda, afinal, ele é leitor.

Mas existe uma problemática e um risco que se corre ao se análisar um poema. A problemática é alcançar com precisão a intenção do poeta, saber o que ele queria dizer, e o risco é o óbvio, é se falar baboseiras, analisar de maneira equivocada um bom poema e fazer com que o poeta se sinta abatido e desestimulado. Evidentemente, não é o meu caso. Não sou poeta, sequer sou artista. Eu sou Guma.

A maioria dos críticos de arte, por sinal, são pretensos artistas que, com a explícita falta de talento, passam a julgar as obras dos outros, talvez como uma forma de vingança. Não quero, com isso, dizer que André Cervinskis é um artista sem talento. Não conheço bem as obras dele e, portanto, não posso afirmar muita coisa. Digo até que o pouco que li, escrito por ele, foi válido.

O que posso dizer em relação às críticas feitas ao meu poema, é que são completamente acertadas. Apesar de ter trabalhado com alunos do primário e nunca ter visto alguém escrever versos como os do meu poema em questão, confesso tê-lo feito em 2001, eu não estava no primário, mas era um recém-secudarista, saído iluminado de uma conversa com Geninha da Rosa Borges. Confesso também pouco me importar com o lirismo tão procurado por alguns poetas e pseudo-poetas. Na verdade, eu quero é que o lirismo se foda. Quanto aos clichês, não vejo um só poeta que esteja hoje na cena pernambucana que não seja arauto do ser supremo. Repito, não há um sequer.

Quanto aos bons nomes do livro... Sabemos que não há nada de novo. Isso não quer dizer que não há nada de bom, apenas não há nada de novo. De novo.

Um bom colega me deu um conselho, caso fosse o caso de responder, eu usasse os próprios versos escritos como se estivesse no primário:

Mas deixo a minha mente
Hermeticamente
Aberta
Porém coberta

De uma forma que ninguém possa ver
Mas que todos possam sentir
Como uma piada que ninguém quer entender
Mas da qual todos quem rir

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Clô e a Humanidade

Como coloquei a figura de Clodovil de uma forma um pouco vulgar no último post, decidi compensar postando um texto que fiz na época da morte do próprio:


Confesso, pensei em dividir minha ignorância com vocês, ilustres visitantes, novamente na época (não tão distante) do aborto e excomungação da menina de nove anos abusada sexualmente pelo padrasto... preferi não. Meninas são estupradas todos os dias, mães que abortam depois de serem violentadas são excomungadas todos os dias, e os que abusam sexualmente de crianças continuam não são excomungados, todos os dias (se fossem, talvez os padres fossem uma "espécie" em extinção). Mas Clodovil Hernandes se foi, e a sua fortuna irá, não para a Igreja, para meninas que possivelmente poderão escapar das estatísticas dos abusos familiares (e eclesiásticos). Em suma, Clô não morre todo dia!

Creio que comecei a escrever pelo meio, o tema do texto aqui redigido é Clodovil Hernandes, um homem com talento, coragem e inteligencia. Nunca foi telantoso como um Saint Laurent, corajoso como Zumbi ou o rapaz da Praça da Paz Celestial, muito menos inteligente como Platão, mas era ele, era autêntico. Era arrogante, mas com classe, sabia falar das coisas incomodando os que deviam ser incomodados. Era uma "bicha louca", mas sua loucura era recheada de conteúdo e intenções transgressoras, até certo ponto, subversivas, bem mais do que esses pseudo-marxistas que nos cercam de discursos batidos e com aquela coreografia braçal que todos nós conhecemos.

Clodovil era revolução e tradição em sua vida. Deu humor à moda, foi pioneiro com seu estilo de apresentar programas televisivos, fugia do óbvio sem perder a coerência... nem sempre agradava a todos! Pra falar a verdade, não agradava quase ninguém, era estereotipado pela maioria como um "gay que falava demais". Mas ele era mais, era um grande provocador, mas quando foi provocado, não soube manter a compostura, foi afastado da maioria das emissoras onde trabalhou pelo seu temperamento forte e sua incapacidade de segurar as palavras mais ferinas.

Depois de um tempo decidiu seguir a carreira política, quase como uma brincadeira, a última das suas provocações, dessa vez na da casa menos respeitada do Brasil, a Câmara dos Deputados. Mas seu mandato foi interrompido de forma abrupta e, pelo menos para mim, inesperada.

Com a sua morte, surgirá a Fundação Izabela (nome de sua mãe adotiva) que patrocinará as Casas Clô que seriam cor-de-rosa (óbviamente) e cuidariam de meninas órfãs. Lá, elas receberiam todo tipo de educação, desde aprender a pregar botão até se preparar para um concurso universitário. Isso tudo foi idealizado desde 2007 por Clodovil e registrado em seu testamento.

Que a Igreja siga o exemplo de Clô, e, ao invés de condenar (sexual e canônicamente), tente salvar a vida das crianças brasileiras.

Vai em paz, Clô... no paraíso não tem DST!

Pedido de Mulher

I

Porra, mulher!!! Que merda! Tudo o que eu faço te deixa infeliz, nada te satisfaz, absolutamente nada! Qual é o teu problema? Que mal há em sair com os amigos pra bater uma peladinha? Qual é o problema de eu beber com um monte de macho? Qual é o problema em sair para conversar sobre assuntos de macho? Pior, você mesma diz que nós temos sérios problemas por causa do meu estresse, diz que eu tenho que arrumar uma válvula de escape, relaxar, tirar a tensão que me trabalho provoca e coisa e tal. Basta eu sair, chegar tranquilo, com os bons fluidos da rua e você vem assim, quase me engolindo. Só falta querer cancelar o casamento! Nêga doida do caralho!!!

II

Puta que o pariu!!! É o que? Que tpm do caralho é essa? Como assim acabou tudo? Por um acaso eu tô voltando de um puteiro? Nem nessa vibe eu to mais, inclusive. Você bem sabe que as únicas mulheres que tenho comido além de você são as suas amiguinhas em nossas festinhas, e eu as como junto com você. Ah, já sei, você ta apaixonada por uma delas, eu devia suspeitar, anos e anos colando no alec-fú, um dia eu sabia que você voltaria pra essa vida de vez. Pois vá pra porra!!!

III

Rapariiiiga!!! Na verdade eu sei exatamente o que você ta pretendendo. Digo logo: te fode! Você ta usando essa situação pra conseguir algo que você quer há algum tempo. Deve custar muito dinheiro, por sinal. Vai, diz o que porra que tu quer pra morgar com essa história maluca de cancelar o casamento! É sempre assim, vocês, loucas, nós, reféns. Diz logo, infeliz das costa ôca!

IV

...

V

Puta, meu lôro! Deu o carai! Tinha coisa mais difícil pra pedir não, Chuchu? To vendo que o gardenal, o rivotril e o resto das coisas que tu toma pra controlar tua doidice fizeram o efeito contrário. Mas o que te leva a crer que eu vou atender a esse teu capricho? Na boa, eu até tentaria se não fosse alguma obra da lombra eterna que te rege. Recado dado? Soca no rabo!

VI

...

VII

Porra, meu amor, Clodovil morreu, caralho!!! Viaje errado não! Como é que eu vou conseguir uma merda de um vestido feito por ele que ninguém tinha usado? Ah, vá se fuder!!!

VIII

Puta que o pariu!!! Não acredito no que vou dizer... Ok ok, eu aceito! Dou meu jeito e o caralho, mas você tem que entender que essas coias não se arrumam da noite pro dia, e isso pode até adiar nosso casamento... eu porra, não chora, caceta! Tu pelo menos conhece alguém que pode me ajudar? Hã? Pai Totinha? Você quer que eu vá na macumba? Tu sabe que eu me cago de medo dessas paradas!!! Vou não, porra! Morgou o papo, caralho!!!

IX

...

X

Tu é fodinha, heim!? Diz o endereço desse frango veio pra ver se eu consigo alguma coisa. Tenho medo! Quando você estiver grávida... “quero um pão francês feito hoje, na França, com um pouquinho de queijo tirado da lua!” vai ser disso pra cima, vou lá, doida dos caralhos!!!

XI

Pela cara de fresco, deve ser tu mesmo... vou direto ao assunto! Tu tem que procurar e baixar Clodovil nesse depósito de esperma que tu chama de corpo. O resto eu resolvo com ele! E aí, rola ou não rola? Cinco mil? Caralho além de frango, macumbeiro, tu também é ladrão é? Aceita Visa?

XII

Féla da puta! Que demora do carai!!! É tu mesmo? Sim... digo logo, nem de velho nem de fresco, nem de político e nem de morto eu gosto. Tu é tudinho junto, então se ligue! E aí? Tem como desenhar um vestidinho pra minha noiva usar, não? Tu quer o que? Ufa!!! Eu tinha trazido um pote de KY pra facilitar a minha vida, mas vocês são uma resenha... agora, haja cu pra enfiar tanta vela, vu! Putaqueo...


FIM?

Confissão...

Eu te acho tão linda que, às vezes, prefiro bem longe ficar. Para eu não me deparar com teus defeitos, ou não me viciar com os teus trejeitos. Só para que você continue a ser a minha santinha de altar a quem sempre remeto os meus pensamentos, em certos momentos, em que o mundo parecer não ter mais sentido, e tudo estiver perdido.

E irás então aparecer, me deixando mudo.

Calada.

Mas dizendo tudo.

Alvi-Bolero



Se tua pele tiver
Cor igual a da tua alma
Precisarei de muita calma

Pois, alva
Vou me desfazer

Se teu sorriso tiver
O brilho do teu caráter
Serás, então, célula-máter

Pois, alva
Não vou me conter

Pois mesmo minha pele
Não sendo tão branca
E nem meu sorriso
Sendo do tipo Colgate

Suponho ter um quilate
Que merece você

Se tua pele tiver
Cor igual a da tua alma
Precisarei de muita calma

Pois, alva
Vou me desfazer

Se teu sorriso tiver
O brilho do teu caráter
Serás, então, célula-máter

Pois, alva
Não vou me conter

Pois este bolero
Não diz que te quero
E nem deixa dúvidas
Desse meu querer

Pois quando sorrires
Pela íris, Tamires
Eu tenho a certeza
Que vou enlouquecer

E quando pedires...
Intervires...
Explodires...
Tamires...

Procurarei te entender!

Escrava Branca

Ê, branca

Quando a saudade bater
E meu corpo chamar você
Seja minha escrava
E não deixe meu corpo fugir

Ê, branca

Eu confesso não saber
O que me atrai em você
Minha livre escrava
Apenas escrevo deixando fluir

Apenas escrevo, escrava
Como um escravo, escrevo
Você não gostar: o meu maior medo

Apenas escrevo, escrava
Como um escravo, escrevo
Até você virar o meu amor-enredo