quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Amo

Eu juro que nada temo
A não ser teu adeus
Que só vem para destroçar
Meus sentimentos ateus

E, para Deus, pedirei seu retorno
E em torno de seu ser vou tornar
A levar o mais ríspido esporro
Vindo Dele, para me destronar

Mas minha sina não é a Sena
Nem a Açucena a me santificar
E sim esse diabo, essa pequena
Pintada morena a me desdenhar

Pois ela é minha sentença
Presente, minha ausência
Ela é o meu protesto

A faca entre meus dentes
Em um verso, mil repentes
Em um verso, meu universo!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

18ª Vez

Antes uma bala do que uma má idéia na cabeça. Guiado por este pensamento humanista, pensei em meus dias e noites solitários, vazios e de uma vulgaridade sem precedentes. Era o fim. Senão da agonia, o da falta de coragem de por um fim nisso tudo... Mas não seria covardia?

Essa dúvida era a única coisa que me separava do gatilho apertado e do tiro disparado. Morto, eu já estava! Eu já estou. Sim, faltava aquele toque final, a concretização do fato para os vivos (ou mortos, tal como eu). Lembro-me de ter escrito anos antes num poema o seguinte verso: “que glória se faz ao padecer sem entender as próprias palavras de ordem?”. Me via em minha própria obra, em minha própria constatação e pior, eu era o elo fraco da corrente.

Seria esse meu fim? Baseado no excesso simultâneo de coragem e covardia? De ignorância e de uma sabedoria baseada, apenas, na ironia socrática de que nada sabia? Puta que o pariu, que merda!

Quem me dera se, após concretizado o fato, meus inimigos sofressem com a minha morte e que meus amigos comemorassem o fim de minha agonia com uma festa daquelas. Infelizmente não tenho amigos nem inimigos suficientemente inteligentes, desprendidos e honrados. Todos são demasiadamente práticos. Acham que a morte do outro é a sua vitória (no caso dos inimigos) ou um fato pra ser visto com tristeza (no caso dos amigos).

Enfim, o revólver está aqui. A bala, ociosa, louca para cumprir seu papel... quer saber? Sou um merda, num mundo de merda que, portanto, merece a continuidade de meu ser ridículo e imbecil.

Será que na feira do troca-troca eu consigo um palmtop?

Oração à Satanás

Tu, Satanás em forma de morena
Farias eu andar de Vercelli à Ravenna
Por um simples capricho

Não me achastes no lixo
Nem mesmo me ganhastes na sena
Mas me condenastes a esta pena

Que faz meu coração tornar-se um fétido gás
E meus verbos virarem líquidas cagadas
Os meus olhares para quem te olha, flechadas
E minha respiração, orações a ti, Satanás

Desejo apenas que teu lindo e cheiroso pescoço
Faça de mim alguém mais velho ou mais moço
Que teu recheado e suculento par de seios
Alimente, com suas tetas, os meus desejos

E que essa tua carnuda vagina
Seja ou esteja mais apertada
Do que minha imaginação imagina

Vem de ré, Satanás!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Domingo

Miúda, Intrusa

Teu cheiro invade meus ouvidos

Que, estatelados, soam medo


Desejos, ensejos

Meu mundo, embriagado, leva

Um destroçado olhar ao teu corpo


Um sopro, sofro

Ao ver que você, meu sonho

Afasta-se como um Domingo


Que sorrindo

Repetindo


Sempre vai

Sempre volta

Só pra me foder!

Oração Aos Que Ficaram

Abrace o morto
Ele está com frio
Entrega teu corpo à casca do ovo
Abrace o morto

Ele é rico, mas anda roto
Ele odeia a natureza... flores?
Olhos da primavera: as bocas!
Que antecedem o clarão

Explosão, ataque cardíaco
Destruíção, conta atrasada
Nome no Serasa, ideologia inox
Prestobarba, olho de pereba na cara

Abrace o morto
Ou cague em seu cadáver

(Guma & Biagio)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sidharta (ou A Magrela Branquela)


Em meu passeio matinal, observando a natureza e, consequentemente, o lamaçal que, invariavelmente, forma-se no caminho entre o CFCH e o CE sempre que chove, flagrei uma magrela, branquela, completamente sem graça (mais por ser branquela do que pela sua magreza, visto minha inegável predileção por mulatas), ela, com um andar apressado e, ao mesmo tempo, distraído, ali, pelo meio do lamaçal.

Você quer saber o resultado deste andar? Isso mesmo, ela se espatifoou no chão, ou melhor, na lama. Passou, em menos de um segundo, de uma magrela, elegante, mas sem graça, para uma porca magrela, coberta por lama, porém, ainda elegante e com uma coisa que, se não era um atrativo objetivamente falando, passou a ser algo observável de forma admirável.

Confesso que não consegui esboçar um sorriso, o que seria normal vindo de mim ao presenciar uma cena como a aquela, mas também não tive a pena que nos faz dar a mão para ajdar o outro. Como um bom pretenso budista, acredito que existem, entre nós, os pequenos e os grandes barcos. Não que os pequenos sejam inferiores ou egoístas, apenas acreditam que o próximo deve aproveitar as dificuldades para aprender a se superar e ser forte para levantar-se sozinho. Não sei se era isso que ele queria dizer, mas tenho o direito de interpretar as coisas da forma que me convém. Talvez eu seja um Hitler Interpretando Nietzsche, mas, que se dane!

Por falar em pensadores, não lembro se foi Voltaire quem disse, mas, na dúvida, roubo-lhe a frase a la Michelotto e digo que a vida é muito curta para aprendermos apenas com nossos próprios erros e, aquela magrela, branquela, elegante, sem graça e, agora, toda melada de lama, me ensinou um dos segredos da vida, óbviamente que sem querer, pois, se fosse por querer, todos os adjetivos antes destinados a ela teriam um adjetivo complementar seguido de hífem: idiota.

É senhores, o que aprendi é que quando se está na lama, ou na bosta, se preferirem, não se pode haver nem pressa, muito menos descuido, pois, algo maior e mais vergonhoso provavelmente acontecerá.

Sarney que o diga.

(Se ela tivesse mais melanina na pele e oito quilinhos a mais, eu a comeria, em agradecimento)

(Guma)

Exercício para a alma




Abraçar o morto: faça! Nojento? Feio? Pecado? Que nada!

Faça, façam, façamos! Abracemos os mortos! Qual é o problema? Já não o fazemos exaustivamente em vida, ora defendendo suas ideologias, como no caso de Marx, ora ouvindo seus discos, como Elvis e Michael Jackson, entre tantas outras formas de babação ontológica? Creio que fazê-lo físicamente é bem menos comprometedor!

Como em todo processo deve-se respeitar as fases, seja gradativo, experimente dar seu primeiro abraço gelado usando como artifício (ou alvo) algum jornal-açougue. Siga meu conselho, dirija-se à última página do caderno policial, lá está o “filet mignon” da carnificina diária, o melhor cadáver, o corpo perfeito para se perder este cabaço existencial.

Depois de abraças aquele símbolo, deveras distante da realidade em forma e textura que pretendemos atingir, é interessante avançar um estágio nesse processo, talvez vários. Aconselho a ida a uma feira livre, procurar o negão da galinha, escolher uma delas, de preferência a maior de todas, para ser, sumáriamente, abatida. Antes de ocorrer o tal assassinato, experimente dar um abraço apertado. Preferencialmente assista o crime, dê um outro abraço após consumado e consuma a dita cuja, de preferência à cabidela.

Após consolidada a noção de que se come um cadáver todos os dias, o resto é mais fácil. Excetuando-se, óbviamente, a continuidade de seu status carnívoro e, em certos casos, a manutenção de seu casamento.

Entendem? Comemos, beijamos, escutamos, veneramos, enfim, abraçamos mortos todos os (santos ou não) dias, mesmo que alguns estejam, biológicamente falando, vivos.

Abrace o morto, mas não espere nenhum tipo de reciprocidade.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Monopólio

Paralizado, enfurecido e solenizado. Assim é o bendito (e, paralelamente, maldito) sentimento/modus vivendus pelo qual fui estuprado, um estupro espiritual, mental, físico e metafísico. Um trabalho para mil anos, executado em uma semana.

Apenas encanto? Quem dera! Eu pegaria minha agenda, a la Gabriel, O Pensador, e começaria a buscar uma saída amorosa a este entrave ontológico. Pelo menos uma delas sairia comigo, treparia comigo e me faria um homem, temporáriamente, aliviado.

A questão é que, neste caso, neste amor, nem que minha agenda inteira ligasse para mim, oferecendo boquetes bem feitas, espanholas delirantes, permissões sem restrições para penetrações vaginais, eu me sentiria balançado, seuqer eu ouviria até o final as propostas.

Mas, suponhamos que, por uma fraqueza de espírito (e pobreza, também), eu aceitasse uma das propostas. Seria inevitável fechar os olhos e pensar nela, só abriria minha boca para falar o nome dela.

Enfim, apenas faria amor com ela por telepatia.

sábado, 18 de julho de 2009

Discurso-Manifesto

Eu tive um sonho, onde os mais indubitáveis e indefectíveis sentimentos reuniam-se, despiam-se e dançavam, aos olhos daqueles que reconheciam os tais sentimentos, mas, perplexos, não sabiam como reuni-los, nem faze-los se despir, muito menos como faze-los dançar. Eles sequer sabiam que isso era possível, estavam incrédulos, uns, completamente encantados, outros inteiramente revoltados com tamanho disparate. A verdade é que eles não tinham o domínio daquilo que viam, não pela ausência de iluminados na tal platéia, mas pelo fato de que, dentre eles, nenhum era poeta.

Sim, eu tive um sonho, onde os poetas, aquelas figuras únicas, portadoras não do pecado original, mas do pecado falsier (pois Deus, ao criar paisagens e formas de vida tão diferentes e com a capacidade de alterarem-se através dos tempos, nos absolve do crime de enxergarmos a vida de uma forma alternativa), tinham o direito de, a partir do momento que fosse revelado a si o fato de ser o Messias de seu próprio universo, publicar um livro e distribuí-lo de graça, com a certeza de que cada leitor seria um micro-mecenas, pagando ao poeta aquilo que achava que o livro valia.

Sim, eu tive um sonho, onde as pessoas não fingiam gostar de poesia para arrotar boçalidade e pedantismo, onde os poemas percorriam as entranhas, causando sensações quase que orgasmáticas em todos, absolutamente todos aqueles que os liam, escutavam ou simplesmente lembravam-se, pois, eles eram incontestavelmente autênticos, ora em forma, mas, invariavelmente, em conteúdo, e não saídos de uma espécie de linha de montagem poética.

Sim, eu, definitivamente, tive um sonho, onde a proporção não era de cem poetas em um livro e sim a de cem livros por poeta.

Lutemos, então, companheiros poetas, para que seja possível, para cada um de nós, publicarmos um, dois, três, cem livros à altura de um Manuel Bandeira, de um Pablo Neruda, de um Heriberto Hélder ou de um Fernando Pessoa. Ou mesmo que façamos de nossas palavras melodia como um Raul Seixas, pois nós somos o diferencial do mundo, e não temos o direito de nos sentarmos no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a Globo chegar!

Tu e Eu

É tudo mentira:
Foi tudo verdade
Te quero bem longe
Pois estou com saudade

Te tenho tesão, mas...
Vá pra bem longe de mim!

Adoro tua filha
Amo a tua idade
Não quero ser madastra
É tão ruim essa fase:

Crise dos 25, ah!
Vá pra bem longe de mim

Não gosto do assunto
Vamos conversar
Não gostei do teu beijo
Mas vem me beijar

Quero dormir contigo, mas...
Vá pra bem longe de mim

Paremos nossa história
Pois é tudo tão belo
Vem pra minha cama
Porque eu não te quero

Vai pra longe, ah...
Mas não saia daqui.

Imperecíveis de Coração




Noutro tempo, quando se olhava
Para os mares mais longínquos
Dizia-se: "Deus"

Mas agora
Eu vos ensinei
A dizer:
"Super-Homem"

"Super-Homem"

Os figos caem das árvores
E eles são bons e doces
Eu sou o vento do norte
Para os figos maduros

Para os figos maduros

Criar é a grande
Emancipação da dor
Emancipação da dor

Criar é o grande
Alívio da vida
Alívio da vida

Assim falava Zaratustra
Para os cegos e surdos
Da multidão

Assim falava Zaratustra
Para os imperecíveis
De coração

Mas o imperecível
É apenas um símbolo
E os poetas
Mentem demais

Mentem demais

E assim como os figos
Caem em vós estes ensinamentos
Recebei o seu suco e sua doce polpa

E sua doce polpa!
E sua doce polpa!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Extra

Extra, extra, estratosfera... Eis que o pequeno grande anão rastafari desdenha dos pobres mortais racionais, necessitados de oxigênio, dinheiro e amor. Sortudo ele, heim? Ele está lá, na estratosfera, comendo pão com ovo, por pura opção, tomando Frevo Cola para arrotar e Pitu pra poder ter coragem de masturbar-se em pleno espaço sideral.

Dizem que ele ficou assim após cheirar, na fonte, um peido de Nietzsche.